(Publicado no Estadão, em 8 de maio de 2022)
Lula nunca esteve no exílio. Esteve na cadeia, pela prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, condenado em terceira e última instância por nove juízes diferentes. É mentira, também, que tenha sido absolvido e que a “Justiça brasileira” tenha reconhecido “erros judiciais” ao condená-lo. Lula não foi inocentado de nada. O que houve foi uma decisão demente do STF, que anulou as quatro ações penais existentes contra ele com uma justificativa reconhecidamente fútil, sem dizer uma sílaba sobre culpa ou inocência. Pior ainda é a ficção de que foi “absolvido pela ONU” – uma vigarice que Lula está usando como prova mundial de sua inocência. Um desses comitês controlados pela esquerda e que aprova qualquer coisa declarou, há pouco, que Lula foi “injustiçado” – mas e daí? O comitê central do PT, a CUT e a associação dos bispos também disseram. Fazem de conta, aí, que “a ONU” pode, de fato, absolver alguém; não pode, assim como não poderiam a Fifa ou o júri do Miss Universo, porque não é um tribunal de Justiça. A “absolvição da ONU”, porém, está aí; é um dos argumentos-chave do seu marketing internacional.
O curioso, nisso tudo, é que Lula parece acreditar, realmente, que é a entidade sobrenatural criada na mídia estrangeira; fala cada vez mais, aqui no Brasil, com a arrogância de quem vive uma paixão incontrolável por si mesmo. Já disse que, por causa da inocência que lhe foi conferida “pela ONU”, o Brasil teria de anular as eleições de 2018 e que ele, Lula, deveria ser nomeado presidente da República. Recusa-se a revelar seu programa para a economia; diz que o eleitor tem de votar nele sem saber disso. Garante que resolveria a guerra da Ucrânia com “uma cerveja”. Não dá sinais de que vá parar.


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