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sábado, 2 de março de 2024

RN tem maior renda per capita do NE, mas desigualdade ainda é desafio

Imagem: reprodução


O Rio Grande do Norte teve a maior renda per capita domiciliar do Nordeste em 2023, com um rendimento médio de R$ 1.373, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora tenha alcançado a liderança da região neste quesito, o RN ainda ficou abaixo da média nacional que é de R$ 1.893. Ainda segundo o levantamento, o Distrito Federal foi a região com a maior renda por pessoa no País, com R$ 3.357. No entanto, especialistas ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE explicam que os dados estão longe de indicar uma saúde econômica do Estado, mas indicam uma fragilidade de distribuição de renda. Economistas também destacam influência do funcionalismo público.

O rendimento domiciliar per capita é um indicador calculado como a razão entre o total dos rendimentos domiciliares (nominais) e o total dos moradores. Nesse cálculo, são considerados os rendimentos de trabalho e de outras fontes. Todos os moradores são considerados no cálculo, inclusive os pensionistas, empregados domésticos e parentes dos empregados domésticos. Economistas detalham que a concentração da estrutura produtiva no setor de serviços e no funcionalismo público contribuem para que o Rio Grande do Norte tenha uma renda per capita mais elevada do que os outros estados do NE.

O doutor em desenvolvimento econômico, Cassiano Trovão, diz que o dado não representa, necessariamente, um benefício para a população como um todo. “Historicamente, o setor público paga mais do que o setor privado. Aqui existem muitas instituições, órgãos públicos, com salários acima da média, então o rendimento médio sobe. Olhando pela mesma ótica da renda, o RN está entre os estados com maior nível de desigualdade, de concentração de renda”, explica Trovão, que também é professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do RN (UFRN).

Os últimos dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostram que em 2022, o Rio Grande do Norte contabilizava 1,6 milhão de habitantes em situação de pobreza e 33,7 mil pessoas em situação de extrema pobreza. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considerou, nessa análise, os parâmetros do Banco Mundial de US$2,15/dia para extrema pobreza e de US$ 6,85/dia para a pobreza, em termos de Poder de Paridade de Compra (PPC) a preços internacionais de 2017.

Trovão acrescenta ainda que o contexto do Estado favorece a concentração de renda em alguns setores. “Não temos uma estrutura produtiva robusta, com indústrias fortes, então tem uma limitação, do ponto de vista da geração de renda, mais discriminada. Está muito concentrada na mão dos servidores públicos, o que eleva a renda média, mas não significa que todo mundo está ganhando esse rendimento médio. Não é a toa que o RN foi um dos mais beneficiados no período do Auxílio Emergencial”, conta.

Os valores divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do IBGE, foram obtidos a partir dos rendimentos brutos de trabalho e de outras fontes, efetivamente recebidos no mês de referência da pesquisa, acumulando as informações das primeiras visitas da PNAD Contínua feitas nos quatro trimestres de 2023. No caso específico dos rendimentos, são coletadas as informações referentes ao trabalho em todas as visitas e referentes às outras fontes de rendimento nas primeiras e quintas visitas ao domicílio.

Desempenho do Nordeste é abaixo da média nacional

O gestor acadêmico e economista Janduir Nóbrega alerta para o desempenho do Nordeste em comparação com outras regiões do País. Assim como o economista Cassiano Trovão, ele também destaca que o índice indica o nível médio de renda e não reflete a distribuição dessa riqueza entre a população. “A única parte boa desse dado é que nós estamos em primeiro na ponta de cima porque geralmente nós estamos na parte de baixo”, diz Nóbrega.

Ele acrescenta que o retrato evidencia as dificuldades do Estado e da região, a despeito de todo o potencial. Para se ter uma ideia, a renda per capita domiciliar do RN – a maior do Nordeste – é R$ 520 menor do que a média nacional, que é R$ 1.893. Além disso, o menor rendimento do País, no Maranhão (R$ 945) representa 28% da maior renda per capita domiciliar do País, no Distrito Federal (R$ 3.357).

“Esse é um dado que aponta fortemente para demonstrar que a região tem muita dificuldade. É um sinalizador que a própria região enfrenta, que o Estado enfrenta, pela falta de investimentos massivos na geração de produção e desenvolvimento. Quanto mais tempo nós ficarmos nessa dinâmica, maiores serão as nossas dificuldades”, comenta.

Ranking

Renda mensal domiciliar per capita entre os estados do Nordeste em 2023

Rio Grande do Norte: R$ 1.373
Piauí: R$ 1.342
Paraíba: R$ 1.320
Sergipe: R$ 1.218
Ceará: R$ 1.166
Bahia: R$ 1.139
Pernambuco: R$ 1.113
Alagoas: R$ 1.110
Maranhão: R$ 945

Fonte: PNAD/IBGE

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