Conhecido como “Superfungo”, o Candida auris pode causar infecção de corrente sanguínea e outras infecções invasivas, podendo ser fatal, principalmente em pacientes imunodeprimidos ou com comorbidades. O fungo pode permanecer viável por longos períodos no ambiente (semanas ou meses) e apresenta resistência a diversos desinfetantes
A preocupação pela infecção, conforme alerta de risco emitido pela Anvisa em abril do ano passado, se dá pelo fato de o fungo produzir biofilmes tolerantes a antifúngicos e apresentar resistência aos medicamentos comumente utilizados para tratar infecções de fungos do gênero Candida.
O “superfungo” também tem propensão em causar surtos em decorrência da dificuldade de identificação oportuna pelos métodos laboratoriais rotineiros e de sua difícil eliminação do ambiente contaminado. Por isso que em abril de 2025, após casos terem sido notificados em São Paulo/SP e Recife/PE, a Anvisa emitiu um alerta de risco alertando que casos suspeitos ou confirmados de Candida auris sejam encaminhados imediatamente para o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) do respectivo estado em que está localizado o serviço de saúde.
Caso em Natal
Assim foi feito em Natal. A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) confirmou, nesta quinta-feira (22), à TRIBUNA DO NORTE que, após a realização de dois exames no Laboratório Central (Lacen/RN), foi confirmada a identificação da ocorrência do fungo Cândida auris em um paciente internado no Hospital Central Coronel Pedro Germano (Hospital da PM).
Segundo a pasta, o homem está em isolamento, sendo tratado por outra enfermidade. As equipes do hospital estão atuando de forma a evitar a contaminação de demais pacientes, bem como dos profissionais, assim como as equipes de vigilância em saúde estão realizando o monitoramento e rastreio do caso. “A contaminação pelo fungo identificado ocorre apenas de forma direta, por contato, não tendo alto nível de contaminação”, afirmou a Sesap.
Casos no Brasil
De acordo com levantamento da Anvisa, divulgado em 6 de novembro do ano passado, o Brasil já havia registrado 22 surtos de Candida auris. Ao todo, 134 casos tinham sido registrados até o dia . O estudo mostrou que a maioria dos casos foi observado em homens (73,1%).
O levantamento também revelou que 15 estados já haviam notificado suspeita de Candida auris pelo menos uma vez desde 2017, quando a rede nacional foi criada. “Isso não significa que eles estavam em maior risco de surtos, mas significa que eles têm serviços de saúde realizando a vigilância e que estão atentos às suspeitas de Candida auris que precisam ser encaminhadas para confirmação pela rede laboratorial nacional”, concluiu o estudo.
Tribuna do Norte


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