A perspectiva era de que a questão fosse resolvida até o final de 2025, o que não ocorreu. Guilherme Saldanha confirmou que na próxima semana irá a Brasília retomar as tratativas. “Continuamos na expectativa, mas é uma pauta que depende do Ministério da Pesca e do Ministério da Agricultura”, disse o secretário.
A reportagem procurou os dois ministérios para saber quais medidas estão sendo adotadas para inserir o camarão nas exportações à China, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
Em outubro do ano passado, Saldanha explicou à TN como se deu o erro de cadastramento. “O Rio Grande do Norte, já há bastante tempo, vem buscando que o Ministério da Agricultura da China liberasse a importação de camarão do Brasil. Infelizmente, houve uma falha no cadastramento. Apesar de terem caracterizado a espécie correta, que é o camarão vannamei, na complementação do cadastro eles erraram. Colocaram o camarão vannamei de captura. Só que não existe no mundo camarão Vannamei de captura. Ele é explorado através de cultivo”, explicou o secretário à época.
O RN perdeu para o Ceará, há alguns anos, a liderança da produção do crustáceo no Brasil, mas segue como um dos produtores mais importantes do País no setor. Segundo projeção da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Camarão (ANCC), em 2025 a produção potiguar deve ficar em torno de 45 mil toneladas. Os dados ainda não estão consolidados.
O setor emprega atualmente cerca de 35 mil pessoas, direta e indiretamente. Orígenes Monte, presidente da ANCC, frisa que a abertura do mercado chinês ao camarão brasileiro é fundamental para o crescimento da carcinicultura do Rio Grande do Norte. “A China é o maior importador de camarão do mundo, então não tem como estar no mercado internacional sem ter acesso ao mercado chinês”, afirmou Orígenes Monte.
Falta de interesse
Itamar Rocha, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), avalia que há pouca vontade em se resolver a situação para que o RN consiga exportar o crustáceo para o país asiático, o que ele considera crucial para a carcinicultura potiguar, sobretudo diante do tarifaço americano imposto a produtos brasileiros no ano passado.
“Em 2025 a China importou mais camarão do que os Estados Unidos e do que toda Europa. Além do que, estes dois são mercados para onde nossas exportações estão comprometidas – os EUA por conta do tarifaço e a Europa, por causa de questões sanitárias, também não recebe nossos produtos. O Brasil está praticamente sem exportar camarão, mas isso está ligado a uma falta de interesse total em rever essa situação”, apontou Itamar Rocha.
Para o presidente da ABCC, superada a barreira atual, o RN tem condições de fornecer camarão de qualidade ao mercado chinês. “Nós estamos muito mais próximos da China do que o Equador, que exporta 700 mil toneladas por ano para aquele país. Então, é possível exportar em tempo hábil, com qualidade, porque o camarão é processado e refrigerado”, diz Itamar.
Orígenes Monte, da ANCC, aponta, contudo, que há falhas na estrutura do RN para escoamento da produção. “Toda a nossa exportação se dá por Suape (PE) e Pecém (CE). Não é pelo Rio Grande do Norte”, destaca. Ele avalia que a abertura do mercado chinês irá trazer impactos positivos para a produção potiguar, com reflexos no aumento da produção e na geração de novos empregos, mas é algo que deve acontecer no médio e longo prazos. “Não é algo imediato, porque exige adaptação por parte da nossa indústria”, disse.
Tribuna do Norte

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