De acordo com o secretário, o novo paciente contaminado está internado no hospital desde dezembro e havia feito três testes para detecção do fungo. Os dois primeiros exames tiveram resultado negativo, enquanto o terceiro confirmou a presença do microrganismo, indicando que a contaminação ocorreu já dentro da unidade hospitalar, de acordo com a Sesap. O secretário informou ainda que o número de profissionais aumentou de 13 para 18 para reforçar a limpeza nos ambientes do hospital.
“Quando você tem os mecanismos de controle plenos, é esperado que não aconteça. Se aconteceu, é porque de fato, em algum momento, a cadeia de limpeza não se deu da maneira adequada. Então, a gente precisa averiguar o porquê, verificar e aumentar com isso também a capacidade de limpeza do hospital”, afirmou Motta.
Segundo o secretário, a vigilância epidemiológica analisou o caso para entender a origem da contaminação. Inicialmente, havia a hipótese de transmissão a partir de um paciente que tivesse vindo de outra unidade hospitalar. No entanto, a análise indicou que o segundo paciente foi contaminado no próprio ambiente hospitalar. “Aconteceu através do pessoal de apoio que atua no hospital. Ou seja, o fungo não voou. O fungo passou de pessoa a pessoa”, disse.
Apesar da confirmação do novo caso, o Governo descartou a possibilidade de interdição total do hospital. A estratégia adotada será o isolamento de áreas e a intensificação dos processos de desinfecção. “A gente não está trabalhando com isso, porque se for interditar, a princípio eu teria que parar todas as atividades, teria que limpar absolutamente tudo. O correto é interdição de áreas, isolamento daquele paciente, isolamento dos ambientes e fazer as desinfecções terminais necessárias”, declarou Motta.
Alexandre Motta orientou ainda que a população não entre em pânico, já que a transmissão do fungo ocorre principalmente em ambientes hospitalares e exige contato próximo com pessoas contaminadas. “Isso é uma circunstância muito dentro dos hospitais, não há motivo de pânico”, disse.
O “superfungo”
O fungo Candida auris — apelidado de “superfungo” por sua resistência a antifúngicos — foi identificado pela primeira vez no Japão, em 2009, e, no Brasil, teve seu primeiro registro em 2020. Desde então, tornou-se um desafio crescente para os sistemas de saúde, principalmente por sua capacidade de resistir a medicamentos usados no tratamento de infecções fúngicas.
De acordo com Eveline Pipolo, uma das principais características do fungo é a formação de biofilmes, estruturas que funcionam como uma espécie de “escudo” e dificultam a ação dos medicamentos. “Esses aglomerados de células tornam o tratamento mais difícil e também complicam a eliminação do fungo do ambiente, exigindo protocolos rigorosos de limpeza e desinfecção”, afirma.
Além disso, o C. auris pode sobreviver por longos períodos em equipamentos médicos e objetos de uso hospitalar, facilitando a transmissão indireta. Por isso, a maior preocupação das autoridades de saúde é evitar que o fungo se espalhe dentro da unidade hospitalar ou alcance outros hospitais do Estado.
O professor Rafael Bastos, da UFRN, explica que o termo “superfungo” está relacionado à resistência de Candida auris aos antifúngicos disponíveis. “Hoje, existem apenas três grandes grupos de medicamentos utilizados no tratamento: os azóis, os polienos e as equinocandinas. Candida auris costuma ser resistente a pelo menos um desses grupos e, em alguns casos, pode apresentar resistência a mais de um deles”, explica.
Tribuna do Norte

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