De acordo com Galípolo, a principal orientação recebida do chefe do Executivo foi que qualquer análise relacionada ao caso ocorresse sob critérios estritamente técnicos.
Questionado por parlamentares da oposição sobre o encontro, o presidente do BC relatou que foi chamado pelo gabinete presidencial quando a reunião já estava em andamento. De acordo com ele, ao chegar ao local encontrou Lula, Vorcaro e integrantes do governo reunidos.
A reunião ganhou ainda mais repercussão por envolver nomes influentes do entorno petista. A reunião teve a presença do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, apontado como responsável por intermediar a ida de Vorcaro no Planalto.
Realizada fora da agenda oficial, a reunião passou a gerar questionamentos políticos sobre a proximidade do banqueiro com integrantes do governo.
Segundo Galípolo, durante a conversa, Vorcaro afirmou enfrentar resistência dentro do sistema financeiro e se apresentou como alvo de perseguição por parte de grandes instituições bancárias.
Ao relembrar a fala do presidente da República, afirmou: “A fala do presidente foi muito objetiva em dizer: ‘esse é um tema tratado dentro do Banco Central, o Gabriel será o próximo presidente, ele é técnico, vai te dar um tratamento técnico'”.
Na época do encontro, Galípolo ocupava o cargo de diretor de Política Monetária do Banco Central e já havia sido indicado por Lula para assumir a presidência da instituição no ano seguinte.
Durante o depoimento, o chefe da autoridade monetária reforçou que o presidente não fez qualquer orientação política sobre o caso e reafirmou a autonomia do Banco Central para conduzir a análise.
Segundo ele, “a orientação do presidente foi tratar de maneira técnica esse tema, reafirmando que eu tinha autonomia para isso”.
O episódio voltou ao centro do debate político após questionamentos feitos pelos senadores Esperidião Amin (PP-SC) e Eduardo Girão (PL-CE), que cobraram esclarecimentos sobre a reunião realizada fora da agenda oficial no Palácio do Planalto.
Cláudio Dantas



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