A vitória por 1 a 0 sobre o Gama, na Arena das Dunas, valeu mais do que a vantagem para o confronto de volta das oitavas de final da Série D. O resultado colocou o América na liderança da classificação geral da competição, ultrapassando justamente o adversário do Distrito Federal e dando ao clube potiguar a possibilidade de chegar às quartas de final ocupando o primeiro lugar entre os classificados. Apesar do resultado positivo, o técnico Ranielle Ribeiro fez questão de manter o discurso de cautela e classificou o duelo do próximo domingo, em Brasília, como uma espécie de “jogo do acesso”.
Na avaliação do treinador, o equilíbrio entre as duas melhores campanhas da Série D ficou evidente durante os 90 minutos. Ranielle valorizou a vantagem construída, mas ressaltou que ela apenas muda a forma como o América irá administrar a decisão. “A Série D, principalmente nessas fases que vão afunilando, toda e qualquer vantagem condiciona as escolhas para o segundo jogo. Essa vitória nos condiciona a jogar por dois resultados, o empate e a vitória”, afirmou.
Mesmo satisfeito com o desempenho da equipe, o comandante acredita que o América ainda pode evoluir para o confronto da volta. Na visão dele, faltou controlar melhor a posse de bola em alguns momentos da partida, sobretudo diante da forte marcação exercida pelo Gama. “Nosso time pode ser um pouco mais do que foi hoje em alguns aspectos. O primeiro deles é em relação à posse da bola e ao controle maior do jogo. Quando conseguimos isso no primeiro tempo, nasceu justamente a jogada do gol do Luiz Thiago”, destacou.
O treinador também enalteceu o momento vivido pelo camisa 9, autor do gol da vitória e já com quatro gols em cinco partidas pelo clube. Ranielle revelou que o crescimento do atacante faz parte de um trabalho desenvolvido diariamente pela comissão técnica. “O Luiz foi contratado para isso, para fazer gols. Vinha se adaptando, é um nove de muita mobilidade e agora está conseguindo definir e fazer gols importantes”, ressaltou. O comandante lembrou ainda que a confiança nunca deixou de existir, mesmo quando os atacantes conviviam com críticas pelo baixo aproveitamento nas finalizações.
Outro ponto destacado foi a força do elenco. Mesmo sem Alisson Taddei, um dos principais jogadores da campanha, Ranielle afirmou que o grupo voltou a responder positivamente. Para ele, a temporada mostrou que o América possui peças capazes de manter o rendimento independentemente das ausências. “Graças a Deus, temos um elenco muito forte, que consegue compensar a falta de jogadores importantes como o Taddei”, afirmou.
Ao explicar as mudanças promovidas no segundo tempo, o treinador disse que a entrada de Coppetti teve como objetivo recuperar o equilíbrio do meio-campo. O Gama passou a controlar mais a posse de bola em determinado momento da partida, obrigando a comissão técnica a reforçar o setor central para diminuir os espaços e recuperar a intensidade defensiva.
Já pensando no duelo em Brasília, Ranielle descartou qualquer mudança radical de postura. Mesmo reconhecendo que o Gama deverá assumir a iniciativa da partida, o treinador garantiu que o América não pretende abrir mão de sua identidade. “Não vejo o América abdicando do jogo. Vamos propor, explorar os espaços que eles vão nos oferecer. Fora de casa sabemos o quanto o nosso time é incisivo e decisivo”, explicou.
A liderança geral da Série D, conquistada justamente diante do antigo líder, foi tratada como uma consequência do trabalho desenvolvido ao longo da temporada. Embora a melhor campanha possa representar vantagem no reordenamento dos confrontos das quartas de final, Ranielle prefere concentrar todas as atenções na decisão do próximo domingo.
Tribuna do Norte


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