Alta desaprovação de Lula alerta campanha; equipe defende mudança na estratégia

Desaprovação do governo chega a 50%, enquanto Lula aparece empatado com Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno; petistas cobram mudanças na condução da campanha


A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (7), aumentou a preocupação entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além de apontar empate entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 41% das intenções de voto para cada um em um eventual segundo turno, o levantamento mostrou 50% de desaprovação ao governo federal.

O resultado é considerado um sinal de alerta dentro do PT, principalmente pela trajetória recente dos indicadores. Na pesquisa anterior, divulgada em 2 de setembro, a desaprovação estava em 48%, enquanto a aprovação era de 45%. Agora, a aprovação caiu para 43%.

Embora as variações estejam dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, integrantes do partido avaliam que a sequência negativa exige uma mudança na estratégia eleitoral.
Desaprovação cresce no Nordeste e no Sudeste

Outro dado que chamou a atenção dos aliados do presidente foi a piora na avaliação do governo em regiões consideradas estratégicas para a eleição.

No Nordeste, tradicionalmente uma das principais bases eleitorais de Lula, a desaprovação passou de 29% para 35%. No Sudeste, região que reúne os três maiores colégios eleitorais do país, o índice subiu de 50% para 56%.

A avaliação de integrantes do PT é de que a campanha precisa ajustar a rota para tentar ampliar o apoio ao presidente para além de seu eleitorado mais fiel.
Petistas criticam isolamento de Lula

Dentro dos grupos ligados ao PT, também aumentaram as reclamações sobre a forma como Lula vem conduzindo as discussões relacionadas à campanha. Segundo a CNN Brasil, há integrantes que consideram o presidente excessivamente isolado e pouco aberto à avaliação de diferentes conselheiros.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, também passou a ser alvo de críticas internas. A primeira-dama Janja da Silva, que participa de discussões relacionadas à estratégia de comunicação, também é mencionada nas avaliações feitas por integrantes do partido.

O resultado da Quaest teria causado frustração entre aliados que esperavam uma reação positiva após a semana de maior articulação do governo no Congresso Nacional.
Governo apostava em agenda positiva

A estratégia do governo incluía o avanço de propostas com potencial de repercussão popular, como o fim da chamada “taxa das blusinhas”, o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança.

A expectativa era utilizar essas pautas para fortalecer o discurso de campanha e melhorar a percepção sobre a gestão federal.

Na avaliação de uma ala do PT, porém, a movimentação ainda não foi suficiente para reverter o cenário de desgaste. O grupo considera especialmente preocupante o fato de a eleição estar se aproximando e de a desaprovação continuar elevada.
Crises políticas aumentam pressão sobre campanha

A tentativa de construir uma agenda positiva também acabou dividindo espaço com outras crises políticas. Entre elas estão as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, que é alvo de três inquéritos por suspeita de tráfico de influência.

Ao mesmo tempo, a agenda do Congresso perdeu espaço diante da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). O cenário ganhou repercussão após o ministro André Mendonça determinar o levantamento do sigilo de um relatório da Polícia Federal que aponta supostas mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes.
Aliados querem reforçar comparação com Bolsonaro

Diante da pressão, aliados de Lula defendem uma mudança na estratégia eleitoral para tentar recuperar votos entre eleitores que ainda não estão consolidados.

Uma das principais apostas é intensificar a comparação entre o atual governo e a gestão de Jair Bolsonaro, além de estabelecer um confronto direto entre as trajetórias de Lula e Flávio Bolsonaro.

O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, adotou um tom mais otimista após a divulgação da pesquisa. Segundo ele, o cenário ainda oferece espaço para crescimento do presidente.

Valadares destacou que Lula permanece na liderança no primeiro turno tanto na pesquisa estimulada quanto na espontânea e chamou atenção para o percentual de eleitores que ainda não escolheram candidato.

Na avaliação do dirigente petista, a comparação entre os governos, as propostas e as trajetórias dos candidatos será determinante para a disputa eleitoral.

98 FM de Natal

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