Segundo o procurador, os casos suspeitos já foram identificados, e por isso ele defende que a seleção siga em frente. Para ele, os mecanismos de inteligência hoje usados em concursos permitem flagrar tentativas de fraude.
“E fizemos agora o da Polícia Penal, que houve todo aquele impacto. Todo concurso hoje existe o problema das fraudes. Quem faz concurso sabe disso. Mas só que hoje as empresas também têm o sistema de inteligência. Então você consegue cercar e foi muito bom porque pegou-se já esses casos. Mas vai avançar o concurso da Polícia Penal”, afirmou.
O que aconteceu no dia da prova
Ao todo, o certame recebeu mais de 40 mil inscrições de candidatos interessados nas vagas. Depois da aplicação das provas, no dia 13, doze pessoas acabaram presas em flagrante: dez delas em Mossoró e outras duas em Natal. A Polícia Civil apura se houve uso de equipamentos eletrônicos para que candidatos recebessem as respostas enquanto faziam o exame.
Nas diligências feitas em Mossoró, os policiais encontraram indícios do uso de pontos eletrônicos — aqueles aparelhos discretos que ficam dentro do ouvido. Há também relatos de candidatos que teriam fotografado páginas do caderno de questões durante o exame. Outra linha considerada pela investigação é a participação de pessoas que estariam fora dos locais de prova, encarregadas de resolver as questões e de transmitir as respostas aos candidatos.
O que o MPRN investiga
O inquérito civil aberto pelo MPRN quer medir o tamanho das possíveis irregularidades e concluir se existe razão para anular as provas escritas do concurso. Entre os elementos analisados está a circulação, em grupos de WhatsApp, de imagens que indicariam cadernos de questões fotografados e compartilhados enquanto o exame ainda estava em andamento.
O esquema de segurança montado naquele dia também virou alvo. Com base nos procedimentos policiais já formalizados, os promotores passaram a checar se todos os locais de aplicação tinham detector de metais.
A 70ª Promotoria de Justiça de Natal deu 15 dias de prazo para que prestem informações tanto a Sead, a Secretaria de Estado da Administração, quanto o Instituto Avalia, banca contratada para o concurso. O MPRN pediu a lista completa dos locais de prova, as medidas adotadas contra fraude e detalhes sobre quantos detectores de metais existiam e como foram distribuídos.
Se ficar comprovado que os equipamentos não foram usados em todos os locais, caberá à banca explicar os motivos. A promotoria também quer saber se houve articulação prévia com órgãos de inteligência ou de investigação para reforçar a segurança do certame.
A intenção da promotoria é montar um quadro sobre a dimensão das possíveis irregularidades e verificar se os mecanismos usados deram conta de apontar e tirar do certame quem tenha fraudado a prova. O órgão acompanha ainda o que apura a Deccor, delegacia especializada que cuida da defesa do patrimônio público e do combate à corrupção no Estado.
“Todos os concursos são judicializados”
Ao comentar a seleção, o procurador-geral disse que os concursos feitos pelo Estado costumam parar na Justiça. “Todos os concursos são extremamente judicializados”, declarou. Ele lembrou seleções feitas para vários quadros das polícias Militar e Civil e pôs a Polícia Penal no mesmo grupo.
Mesmo com a afirmação de que o concurso “vai avançar”, o inquérito do MPRN continua em curso para avaliar as suspeitas de fraude e o eventual efeito das irregularidades sobre as provas.
96 FM de Natal


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