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| Ministro do STF Alexandre de Moraes. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil). |
Na noite desta quinta-feira (3), Moraes usou aquele inquérito para acusar o colega de “usurpação da direção das investigações, condução irregular de tratativas de delação premiada e direcionamento” de apuração contra ele próprio. Pediu ainda ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de ação contra Mendonça.
O alvo imediato da ofensiva são os relatórios das operações Sem Desconto (escândalo do INSS) e Compliance Zero (Banco Master) — exatamente o núcleo a partir do qual Mendonça determinou a identificação dos destinatários das mensagens de Vorcaro e, na terça-feira (1º), retirou o sigilo do documento de 218 páginas.
Aquele relatório, extraído do celular apreendido do ex-controlador do Master, descreveu uma relação próxima: mensagens de “gratidão da minha vida”, pergunta sobre fuga (“Acha que segunda já tenho que estar fora?”), pedidos para “reverter” medidas com “Paulo” e “Andrei”, encontros em residências e eventos, além de contratos milionários com o escritório de Viviane Barci de Moraes, com metadados indicando edição por usuário registrado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
Em outras palavras, o mesmo caso Master que Mendonça levou à luz — expondo Moraes, a PGR e a cúpula da PF — virou, 48 horas depois, o pretexto para Moraes tentar inverter o jogo criminalizando o relator que expôs o material. A decisão não responde ao conteúdo das mensagens nem aos contratos; desloca o conflito para o inquérito das fake news e pede que Fachin abra frente formal contra o colega.
O recado institucional é claro: quem retirou o sigilo do relatório que iluminou as relações com Vorcaro agora é acusado, pelo próprio Moraes, de “desviar investigações” e de “perseguição”. Resta ao plenário do STF decidir se trata o episódio como regularidade processual ou como represália de um ministro contra outro, no momento em que o Supremo é arrastado para o centro do escândalo do Banco Master.
Diário do Poder

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