Nos últimos dias, o Blog do Dina apurou que o histórico de rompimentos do candidato do União Brasil tem pesado nas conversas por apoio contra Cadu. Zenaide em Mossoró, Kelps em julho e a leva de ex-aliados de 2024 são o que está na mesa.
Allyson Bezerra chegou ao segundo turno com 15.509 votos de vantagem sobre Cadu de Lula e saiu no mesmo domingo (4) dizendo que vai buscar os prefeitos e as lideranças que não estiveram com ele. É o movimento óbvio. O que não é óbvio é o que ele vai encontrar do outro lado da mesa. O Blog do Dina apurou, nos últimos dias, que um histórico de rompimentos do candidato do União Brasil tem pesado, e pesado muito, nas conversas por apoio. Quem é procurado agora lembra de quem foi procurado antes.
O caso mais recente está nas urnas. Zenaide Maia, candidata ao Senado na chapa de Allyson, ficou em quarto lugar em Mossoró, com 16,12% dos votos, na cidade que deu 56% a ele e elegeu a deputada Cinthia, do grupo dele. Em São Gonçalo do Amarante, cidade do grupo político da senadora, a conta foi outra: Zenaide foi a mais votada para o Senado, com 25,67%, e Allyson foi o mais votado para governador, com 45%. Um lado entregou. O outro, não. Zenaide perdeu a vaga por 5.765 votos. Em Mossoró, Samanda, a adversária que a tirou do Senado, teve 2.636 votos a mais que ela. Para quem conversa com Allyson sobre o segundo turno, esse número é um aviso: a aliança com o ex-prefeito de Mossoró pode ser de mão única.
O que Kelps disse e o que o Blog apurou
Não foi a primeira vez nesta campanha. Em julho, Kelps Lima desistiu da candidatura a deputado federal pela federação do União Brasil e acusou Benes Leocádio, Robinson Faria e João Maia de descumprir o que lhe prometeram: prefeitos, bases, tempo de TV e fundo eleitoral. Na entrevista à 96 FM, Kelps disse de Allyson que era “amigo desde 2017”, que o ex-prefeito “sofreu pressão interna” e que não serviria de instrumento para prejudicar a candidatura dele.
Poupou o candidato.
Mas o Blog do Dina apurou que o não abastecimento de recursos à campanha de Kelps, e a articulação para sufocá-la dentro da federação, teve a participação do ex-prefeito de Mossoró. A reunião em que Kelps foi avisado de que os compromissos não seriam cumpridos, pelo relato dele próprio, aconteceu com Allyson presente. Quem estava na sala não ficou de fora da decisão. Duas semanas depois, o vereador Fúlvio Saulo, aliado histórico de Kelps em Natal, rompeu com a campanha de Allyson: “esse modelo de condução não representa o que eu acredito”. Allyson não respondeu a Kelps nem a Fúlvio em público.
A fila de 2024
A lista é mais longa, e começa antes. Em 2022, Allyson entregou a Rogério Marinho mais de 9 mil votos de maioria em Mossoró na eleição para o Senado e declarou voto em Fábio Dantas para governador, na campanha que Fátima Bezerra venceu. Aquela campanha deixou rusgas com aliados que o Blog ouviu, e que em 2024 viraram rompimento: Marinho exigiu a vice na chapa da reeleição, não levou, e o PL lançou Genivan Vale, coordenador político de Allyson em 2020, contra ele. Allyson resumiu assim o senador que ajudou a eleger: “ele tomou a posição que mais interessava a ele”.
Genivan foi mais longe: “antes era uma pessoa agregadora, dizia que ia fazer diferente e ser o novo na política”. O vice de 2020, Fernandinho das Padarias, disse ter sido “chutado”. Lawrence Amorim, presidente da Câmara, também “chutado”, e depois alvo de pedido de impugnação da própria coligação de Allyson quando se candidatou a prefeito. Tony Fernandes, do Avante, falou em “rompimento político e administrativo”. Está tudo numa única reportagem da Tribuna do Norte, de maio de 2024. Um colunista de Mossoró fez a lista completa e a chamou de “vítimas de traição”. A palavra é do colunista. Os fatos são dos próprios aliados.
Styvenson Valentim, que viu emendas dele para o Hospital Infantil embargadas pela Prefeitura, chamou a gestão de “demoníaca” em 2025. Perguntado nesta terça-feira (6) se apoia Allyson ou Cadu no segundo turno, respondeu: “de jeito nenhum”. Nem um, nem outro. Marinho, que o chamou de “político de TikTok”, também não está. Styvenson e o candidato do PL de Marinho, Coronel Hélio, somaram no primeiro turno mais de um milhão e seiscentos mil votos ao Senado. Nenhum dos dois senadores vai para o palanque do ex-aliado.
O que isso vale em voto
Um segundo turno de 15 mil votos se decide em adesão. Allyson precisa de prefeitos que estiveram com Álvaro Dias, de lideranças que ficaram neutras e de uma parte do eleitor de Natal, onde ele foi terceiro. Todo mundo que ele vai procurar sabe o que aconteceu com Kelps, com Genivan, com Lawrence, com Fernandinho, e sabe o que Mossoró fez com Zenaide. É a leitura desta nota, e é o que o Blog ouviu de quem está sendo procurado: o problema de Allyson nas próximas três semanas não é o programa. É a memória dos outros.
A lista é mais longa, e começa antes. Em 2022, Allyson entregou a Rogério Marinho mais de 9 mil votos de maioria em Mossoró na eleição para o Senado e declarou voto em Fábio Dantas para governador, na campanha que Fátima Bezerra venceu. Aquela campanha deixou rusgas com aliados que o Blog ouviu, e que em 2024 viraram rompimento: Marinho exigiu a vice na chapa da reeleição, não levou, e o PL lançou Genivan Vale, coordenador político de Allyson em 2020, contra ele. Allyson resumiu assim o senador que ajudou a eleger: “ele tomou a posição que mais interessava a ele”.
Genivan foi mais longe: “antes era uma pessoa agregadora, dizia que ia fazer diferente e ser o novo na política”. O vice de 2020, Fernandinho das Padarias, disse ter sido “chutado”. Lawrence Amorim, presidente da Câmara, também “chutado”, e depois alvo de pedido de impugnação da própria coligação de Allyson quando se candidatou a prefeito. Tony Fernandes, do Avante, falou em “rompimento político e administrativo”. Está tudo numa única reportagem da Tribuna do Norte, de maio de 2024. Um colunista de Mossoró fez a lista completa e a chamou de “vítimas de traição”. A palavra é do colunista. Os fatos são dos próprios aliados.
Styvenson Valentim, que viu emendas dele para o Hospital Infantil embargadas pela Prefeitura, chamou a gestão de “demoníaca” em 2025. Perguntado nesta terça-feira (6) se apoia Allyson ou Cadu no segundo turno, respondeu: “de jeito nenhum”. Nem um, nem outro. Marinho, que o chamou de “político de TikTok”, também não está. Styvenson e o candidato do PL de Marinho, Coronel Hélio, somaram no primeiro turno mais de um milhão e seiscentos mil votos ao Senado. Nenhum dos dois senadores vai para o palanque do ex-aliado.
O que isso vale em voto
Um segundo turno de 15 mil votos se decide em adesão. Allyson precisa de prefeitos que estiveram com Álvaro Dias, de lideranças que ficaram neutras e de uma parte do eleitor de Natal, onde ele foi terceiro. Todo mundo que ele vai procurar sabe o que aconteceu com Kelps, com Genivan, com Lawrence, com Fernandinho, e sabe o que Mossoró fez com Zenaide. É a leitura desta nota, e é o que o Blog ouviu de quem está sendo procurado: o problema de Allyson nas próximas três semanas não é o programa. É a memória dos outros.
Blog do Dina

0 Comentários
Os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores.