“Pela primeira vez na minha vida, a contragosto, eu votei nulo. Porque eu nunca tinha dado um voto nulo”, declarou.
A revelação surpreendeu os entrevistadores, especialmente por partir de uma liderança política que ocupa interinamente o comando da Prefeitura do Natal. Questionada pela jornalista Anna Ruth Dantas, Joanna reconheceu que a decisão poderia ser considerada frustrante, mas sustentou que não deveria apoiar uma candidatura com a qual não se identificava.
“Eu acho que quando você não acredita em candidatos, você deve votar ou nulo ou branco”, afirmou.
Joanna também rebateu a interpretação de que sua neutralidade na disputa estadual teria sido consequência do posicionamento do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias. Segundo ela, a escolha foi independente e não representou alinhamento automático a outras lideranças políticas.
“Em nenhum momento declarei que estaria neutra porque Álvaro Dias estava neutro também. Isso nunca saiu da minha boca. A escolha por estar neutro foi de Álvaro, assim como a escolha de Joanna foi de Joanna”, disse.
A prefeita em exercício ressaltou que havia apoiado uma candidatura no primeiro turno, mas que não encontrou identificação política com nenhum dos concorrentes que avançaram à etapa decisiva.
“Eu acho que você deve apoiar um candidato quando você se sente representada pelo candidato. E naquele momento eu não me sentia representada por nenhum dos dois candidatos. Eu tinha feito uma escolha no primeiro turno, por acreditar realmente, e no segundo turno eu não enxergava isso”, explicou.
Questionamento sobre liderança política
Durante a entrevista, Anna Ruth Dantas questionou se a decisão de anular o voto seria compatível com a postura esperada de uma liderança política, uma vez que Joanna deixou de escolher entre os dois candidatos que disputavam o governo estadual.
A jornalista argumentou que, ao votar nulo, a prefeita em exercício havia transferido aos demais eleitores a responsabilidade pela definição do resultado. Joanna concordou com a avaliação, mas manteve sua justificativa.
“Transferi a decisão para quem resolveu votar em um dos dois candidatos”, reconheceu.
Ao ser questionada se essa seria uma atitude típica de uma líder, Joanna respondeu:
“Não é típico de uma líder, mas é típico de uma pessoa que não acreditava em nenhum dos dois candidatos, que não se identificava com nenhum dos dois candidatos.”
Apesar de ter anulado o voto para governador, Joanna fez questão de esclarecer que não adotou a mesma posição em todas as disputas eleitorais.
“Eu não votei na minha chapa totalmente nulo, eu votei no 22”, afirmou, em referência ao número do PL nas urnas.
A declaração ocorre após a eleição de Cadu Xavier para o Governo do Rio Grande do Norte. Na mesma entrevista, Joanna revelou que telefonou para o governador eleito para parabenizá-lo pela vitória e defender uma maior aproximação institucional entre a Prefeitura do Natal e a futura administração estadual.

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