O PT entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o pastor José Wellington Costa Jr., presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB).
Na ação, movida na última sexta-feira 22, o PT argumenta que o pastor realizou propaganda eleitoral antecipada durante culto realizado na terça-feira 19, em Cuiabá, do qual o presidente Jair Bolsonaro também participou.
“O evento não passou de um ato de campanha”, informou o PT. A CGADB é a maior convenção da Assembleia de Deus no Brasil. Na ação, o PT afirma que o pastor e o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada evangélica, “discursaram em favor da reeleição do presidente, com o consentimento explícito de Bolsonaro”.
Na ocasião, o presidente participou da posse de mais um mandato do pastor na presidência nacional da convenção, que aconteceu durante o culto. “Uma revolução está acontecendo em Cuiabá”, disse o pastor presidente ao se referir à motociata realizada por Bolsonaro antes de ir ao culto. “Presidente, o senhor é nosso pré-candidato”.
De acordo com Alberto Rollo, advogado especialista em Direito Eleitoral, a fala do pastor presidente não se caracteriza como propagando eleitoral antecipada. “Não houve pedido expresso de voto, isso está na lei”, disse o advogado. “Ele não falou ‘votem no 1° turno no Bolsonaro”.
A Lei 9. 504/97 prevê no Art. 36-A que “não configura propaganda eleitoral antecipada, desde que não envolva pedido explícito de voto, a menção à pretensa candidatura”. A campanha com pedido de voto só pode acontecer a partir de 16 de agosto.
Resposta
Sóstenes Cavalcante, líder da bancada evangélica, usou a tribuna da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 27, para comentar a ação movida pelo PT. “O suposto defensor dos pobres contrata um escritório milionário para atacar pastores”, disse o líder da bancada evangélica.
Cavalcante disse que o PT deveria se preocupar em orientar o ex-presidente Lula. “Ele anda falando muita besteira: defende o aborto, ataca a classe média e fala de tudo para enganar mais uma vez os mais pobres.”
De acordo com o líder da bancada evangélica, essa é mais uma prova de que o PT e a esquerda não gostam de religiosos e nem da religião. “Nós não vamos recuar”, disse. “Se, antes de ganhar, o PT já está perseguindo os nossos pastores, imagine se ganhar”, questionou.
Para o pastor Marcos Feliciano, deputado federal (PL-RJ) que participou do culto, não houve nenhum ato ilegal. “Em 2013, estive na mira do PT”, disse ele, na tribuna da Câmara dos Deputados. “Quando assumi a presidência da Comissão de Direitos Humanos, eu, minha casa e as igrejas que dirijo fomos todos perseguidos”, concluiu.
‘Não quero conversar com pastor’, diz Lula
Durante uma coletiva de imprensa na terça-feira 26, o ex-presidente Lula disse que não desejava conversar com pastores, mas sim com o homem e a mulher evangélica. Lula também colocou em xeque a crença em Deus do presidente Bolsonaro, “Ele não acredita em Deus”, disse o petista. “Esse discurso é apenas uma peça eleitoral”.
Revista Oeste

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