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Allyson nega denúncias e associa Operação Mederi ao ano eleitoral


Depois de ser alvo da Operação Mederi, que apura um esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em contratos da área da saúde, com foco no fornecimento de medicamentos, o prefeito da cidade, Allyson Bezerra (União), se manifestou publicamente insinuando que a ação está associada ao ano eleitoral, no qual ele é pré-candidato ao governo do Estado. “É um processo lá de 2023. Mas só agora em janeiro de 2026, ano eleitoral em que nosso nome, de forma espontânea pelo povo do estado do Rio Grande do Norte, desponta em primeiríssimo lugar para o governo do estado, é que o nosso nome foi aí citado”, pontuou.

No Rio Grande do Norte, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão, entre eles um na residência do prefeito. Em declaração nas redes sociais, ele disse encarar a situação com tranquilidade e confirmou que agentes federais apreenderam um telefone celular, um notebook e dois HDs pessoais em sua residência. O prefeito disse ainda que houve colaboração integral com a Polícia Federal durante o cumprimento do mandado. “Recebi os agentes com cordialidade, apresentei todos os ambientes da casa e entreguei tudo o que foi solicitado. Estarei sempre à disposição para prestar esclarecimentos”, disse.

Além de Mossoró, a ação ocorreu nas cidades de Natal, Parnamirim, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha. Segundo a Polícia Federal, a Prefeitura do Natal não integra o rol de investigados. Até o momento, não há confirmação oficial sobre o envolvimento direto das demais administrações municipais onde houve cumprimento de mandados.

De acordo com o balanço divulgado pela Polícia Federal (PF) no fim da tarde, foram apreendidos R$ 251 mil em espécie, localizados em sete endereços distintos. Também foram recolhidos 33 aparelhos celulares, 34 mídias eletrônicas, entre computadores, HDs e pen drives, além de dois veículos. O material será analisado no curso da investigação, que contou com a atuação de 163 policiais federais e cinco auditores da Controladoria-Geral da União (CGU).

O prefeito de Mossoró ressaltou que, ainda em 2023, editou um decreto municipal determinando que todos os medicamentos distribuídos pela Prefeitura de Mossoró passassem obrigatoriamente pelo Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica (Hórus), plataforma federal de controle e rastreamento de insumos. “Na época foi visto como burocracia. Hoje eu vejo aqui como uma solução de transparência que nós demos pra gestão”, disse.

Apesar da operação, Allyson afirmou que segue no exercício do cargo. “Eu faço questão que toda a investigação seja conduzida com o total rigor da lei. Apresentarei todos os fatos, todos os documentos, tudo que me for solicitado a qualquer tempo, estarei aqui pronto e preparado”, disse ele.

Em nota, a defesa do prefeito afirmou que não há elementos que vinculem pessoalmente Allyson Bezerra às irregularidades investigadas. Segundo os advogados, o mandado foi deferido com base em diálogos envolvendo terceiros e não resultou em qualquer medida restritiva ao gestor. “A investigação envolve contratos firmados entre municípios e empresas fornecedoras de medicamentos, em diferentes entes municipais, e não se confunde com a atuação pessoal do prefeito de Mossoró”, diz o texto. A defesa ressaltou ainda que Allyson colaborou desde o primeiro momento com as autoridades.

De acordo com as investigações, empresas sediadas no RN mantinham contratos com prefeituras de diferentes estados para o fornecimento de insumos à rede pública de saúde.

Reação política foi imediata no estado

As primeiras manifestações políticas após a operação partiram de nomes ligados à governadora Fátima Bezerra (PT). A deputada federal Natália Bonavides (PT) usou as redes sociais para comentar a ação da Polícia Federal. Ela destacou que a acusação é “grave” e envolve suspeitas de fraudes em contratos da saúde.

Já Cadu Xavier (PT), pré-candidato ao Governo do RN, disse que a operação “merece atenção de todos” e destacou que a gestão de recursos públicos exige compromisso, zelo e honestidade. “Tenho orgulho de gerir as finanças do estado há 7 anos, no governo da professora Fátima, pautado por esses princípios. Que o prefeito e demais investigados tenham o direito de prestar os devidos esclarecimentos e apresentar suas defesas. Fraudes em contratos da Saude é, além de crime, totalmente desumano.”

Em Mossoró, o vereador Cabo Deyvison (MDB), que faz oposição ao prefeito, publicou uma série de vídeos fazendo denúncias e comemorando a ação da Polícia Federal e o mandado cumprido na casa de Allyson. “Eu sabia que essa casa ia cair! Obrigado, meu Deus! O Senhor é justo! Missão cumprida!.


Tribuna do Norte

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