Esse movimento resultou em um superávit de US$ 21,6 milhões no mês, valor que, embora positivo, evidencia um cenário menos favorável para o comércio exterior potiguar. O saldo foi 66,5% menor que o registrado em janeiro de 2025, quando o superávit havia alcançado US$ 64,6 milhões, refletindo a combinação de menores exportações e maior volume de compras externas.
Em janeiro de 2025, as exportações potiguares somaram US$ 112,3 milhões, com uma variação de 22% em relação ao mesmo período de 2024. Já as importações tinham caído 17,9%, somando US$ 47,7 milhões frente ao mesmo período do ano anterior. O contraste é ainda mais evidente quando se olha para dezembro de 2025, quando o RN exportou US$ 109,2 milhões e importou apenas US$ 34,5 milhões, o que mostra uma virada relevante no início deste ano.
Mesmo com o superávit menor, em janeiro o Rio Grande do Norte ficou na 19ª posição no ranking nacional de exportações, respondendo por 0,34% das vendas externas brasileiras, o que reforça a dependência do estado de poucos produtos e mercados específicos.
A pauta exportadora potiguar começou 2026 marcada por uma mudança importante na composição dos produtos. Conforme sua característica sazonal, as frutas e nozes frescas ou secas seguiram como principal item, com US$ 31,4 milhões, o equivalente a 40,3% do total exportado. Ainda assim, o segmento registrou queda de 13,9% em relação a janeiro de 2025, ou US$ 5,1 milhões, refletindo oscilações da demanda externa.
A principal novidade do mês foi a entrada do ouro não monetário, que respondeu por 38,3% das exportações, com US$ 29,8 milhões. O produto não havia sido exportado em janeiro do ano passado, tendo ganhado impulso somente no segundo semestre, o que ajudou a amortecer parcialmente a queda global das vendas externas do estado.
Já os óleos combustíveis, que tiveram peso relevante em 2025, despencaram em janeiro deste ano. As exportações somaram US$ 9,5 milhões, uma queda de 84,7% frente ao mesmo mês do ano passado, reduzindo em mais de US$ 52 milhões a receita do estado com esse item.
Entre os principais destinos das exportações do RN, houve crescimentos expressivos em mercados específicos, mas também quedas relevantes em parceiros tradicionais. As vendas para o Canadá, país que liderou as compras, com US$ 17,3 milhões, tiveram um crescimento superior a 2.700%. Já as transações com a Suíça, com US$ 13,2 milhões, representam um crescimento acima de 20 mil por cento. O aumento das exportações para esses dois parceiros coincide com o crescimento na venda do ouro produzido no RN.
Por outro lado, mercados importantes recuaram. As vendas para os Países Baixos (Holanda) caíram 35,9%, para US$ 12,8 milhões, enquanto Estados Unidos (-68,9%) deixaram de comprar US$ 6,3 milhões do RN, fato que deve estar ligado ao aumento das tarifas impostas pelo governo americano a partir do mês de julho. As exportações para os americanos somaram apenas US$ 2,8 milhões em janeiro. Reino Unido e Espanha também registraram retração de 10,8% e 27,7%, respectivamente. Foram exportados US$ 7,9 milhões para o Reino Unido e US$ 7,8 milhões para os espanhóis.
Do lado das importações potiguares, o avanço em janeiro foi influenciado principalmente pela compra de bens industriais. O principal item foi o de geradores elétricos giratórios e suas partes, que somaram US$ 11,6 milhões, após praticamente não aparecerem na pauta no mesmo período do ano passado. O crescimento foi de 15.217,2%, que representa US$ 11,5 milhões.
Também tiveram peso relevante as importações de óleos combustíveis, com US$ 10,5 milhões, embora com queda anual de 24,2% (US$ -3,4 milhões), além de componentes eletrônicos, como válvulas e transistores, que cresceram quase 75% e somaram US$ 6,7 milhões. Já o trigo e o centeio, importantes para o abastecimento interno, mantiveram estabilidade, com leve retração (-0,6%) e US$ 6,3 milhões importados.
Enquanto o Rio Grande do Norte sentiu a redução das exportações, o Brasil apresentou um desempenho mais robusto em janeiro. A balança comercial do país registrou superávit de US$ 4,34 bilhões, o segundo melhor resultado para meses de janeiro da série histórica, impulsionado principalmente pela queda das importações, que recuaram 9,8% na comparação anual.
As exportações brasileiras somaram US$ 25,15 bilhões, com leve queda de 1%, mas ainda assim figurando como o terceiro melhor janeiro da história. No recorte setorial, o destaque foi a agropecuária, que cresceu 2,1%, enquanto a indústria extrativa e a de transformação tiveram leve retração.
A agropecuária registrou crescimento de 2,1% em janeiro, apesar da queda de 3,4% no volume embarcado, movimento compensado pela alta de 5,3% nos preços médios. Já a indústria extrativa apresentou retração de 3,4%, mesmo com aumento de 6,2% no volume, pressionada pela queda de 9,1% nos preços. Na indústria de transformação, a redução foi mais moderada, de 0,5%, refletindo recuos tanto no volume (0,6%) quanto nos preços médios (0,1%).
Entre os produtos, a queda das exportações foi puxada principalmente por itens relevantes da pauta agropecuária e industrial. No campo, houve retração nas vendas de café não torrado (-23,7%), algodão bruto (-31,2%) e trigo e centeio não moídos (-33,6%). Na indústria extrativa, as exportações de óleos brutos de petróleo recuaram 7,8%, enquanto o minério de ferro caiu 8,6%. Já na indústria de transformação, os maiores impactos vieram do óxido de alumínio (-54,6%), dos açúcares e melaços (-27,2%) e do tabaco (-50,4%).
Apesar do desempenho negativo de parte da pauta agropecuária, alguns produtos ajudaram a atenuar as perdas. As exportações de soja cresceram 91,7% em relação a janeiro do ano passado, impulsionadas pela antecipação de embarques, enquanto as vendas de milho não moído avançaram 18,8% no mesmo período.
No caso do petróleo bruto, a queda nas exportações alcançou US$ 364,6 milhões na comparação com janeiro de 2025. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), esse comportamento reflete a forte volatilidade mensal do setor, influenciada por manutenções programadas em plataformas.
Do lado das importações, a retração em janeiro esteve associada principalmente à queda nas compras de petróleo e à desaceleração da atividade econômica, que reduziu o ritmo dos investimentos. No Agro, destacaram-se as quedas nas importações de cacau bruto ou torrado (-86,3%) e de trigo e centeio não moídos (-35,5%). Na indústria extrativa, houve recuo nas compras de óleos brutos de petróleo (-49,8%) e de gás natural (-15,8%). Já na indústria de transformação, as maiores quedas foram registradas em motores e máquinas não elétricos (-66,8%), óleos combustíveis de petróleo (-17,5%) e partes e acessórios de veículos (-20,4%).
Projeções
Para 2026, o MDIC projeta um superávit comercial entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, com exportações estimadas entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões e importações entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões. As projeções oficiais são atualizadas trimestralmente, e novas estimativas mais detalhadas para o ano devem ser divulgadas em abril.
Em 2025, a balança comercial brasileira fechou com superávit de US$ 68,3 bilhões, enquanto o recorde histórico foi registrado em 2023, com resultado positivo de US$ 98,9 bilhões. Apesar do otimismo do governo, o mercado mantém uma visão mais conservadora. De acordo com o Boletim Focus, do Banco Central, a expectativa é de que o superávit comercial em 2026 fique em torno de US$ 67,65 bilhões.
Enquanto o Brasil inicia 2026 com um saldo elevado e projeções otimistas, o resultado potiguar indica um começo de ano mais cauteloso.
Na comparação com o cenário nacional, o desempenho do Rio Grande do Norte evidencia uma maior vulnerabilidade às oscilações de poucos produtos e mercados. A entrada pontual do ouro ajudou a sustentar o superávit em janeiro, mas não compensou a retração de itens tradicionais, como frutas e combustíveis.
Números
US$ 21,6 mi
Foi o superávit registrado na balança comercial do RN em janeiro de 2026
66,5%
Foi a queda no saldo da balança comercial potiguar ante janeiro do ano passado
US$ 29,8 mi
Foi o valor exportado pelo RN em ouro, principal novidade na balança local
US$ 4,34 bi
Foi o superávit alcançado pela balança comercial brasileira em jeneiro
Tribuna do Norte


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