Em pronunciamento na primeira sessão ordinária do ano na Assembleia, Gustavo Carvalho expôs a gravidade do que considera apropriação indébita “por esse governo irresponsável do PT, que envolve diretamente milhares de servidores públicos do Rio Grande do Norte com empréstimos consignados e a inadimplência do governo do Estado nos repasses desses valores às instituições financeiras.
“Isso é coisa de improbidade, é caso de prisão. O governo tem descontado dos seus servidores sem fazer a efetivação do pagamento na instituição bancária”, protestou Carvalho, que continuou: “O que é mais preocupante, desde novembro de 2025, este parlamento, através de nosso mandato, vem tentando obter informações sobre esse assunto e até hoje só encontramos silêncio, sigilo e barreiras institucionais”.
Gustavo Carvalho informou, no plenário, sobre a cronologia dos apelos feitos para obter dados a respeito do volume de recursos financeiros e o número de servidores envolvidos, mas até agora só tem obtido o silêncio como resposta.
Segundo o deputado, já em 5 de novembro de 2025 formalizou pedido de informações ao Executivo, da mesma forma encaminhou em 12 de novembro de 2025 ofício à Superintendência do Banco do Brasil no Rio Grande do Norte, mas a instituição financeira confirmou em 27 de novembro, que os repasses estavam em atraso. “Mas quando solicitamos os valores, os períodos e os montantes, a resposta foi sigilo bancário”, questionou.
Desinformação
Carvalho disse, ainda, que em 26 de novembro recorreu à Lei de Acesso à Informação (LAI), mas o governo do Estado “pediu prorrogação do prazo”, mas no dia 26 de dezembro, informou que havia aberto um processo SEI com acesso restrito.
“O mais grave, o link fornecido não abre com informação, ou seja, o cidadão pede informação pública e recebe como resposta um processo invisível”, denunciou Carvalho, que levou o caso em 5 de dezembro ao representante do MPRN, procurador geral da Justiça, Glaucio Pinto Garcia: “Amanhã (hoje) completamos 60 dias sem nenhuma resposta desse órgão fiscalizador”.
O parlamentar contou que na terça-feira (3), voltou a solicitar informações ao BB, “como última esperança de ver alguma informação chegar até o nosso gabinete e até esta casa, que está sendo desrespeitada”, além de ter protocolado denúncia no Banco Central.
Para Gustavo Carvalho, situações como essa apontam para o fato de que em caso de vacância no governo – “ninguém se dispõe a assumir o nosso Estado em função de não saber quanto é o rombo, o buraco e a falência que esse Estado preservou neste governo”.
Em aparte, o deputado Luiz Eduardo (PL) lembrou que como presidente da Comissão de Administração e Serviços Públicos da Assembleia em 2023 “teve o cuidado de fazer a oitiva, convocando os secretários de Administração e de Tributação, à época, contratou-se escritório de advocacia especializado no tema, e fizemos a denúncia na Procuradoria-Geral da República por peculato e apropriação em débito”.
Luiz Eduardo esclareceu, ainda, que fez mesma denúncia na PGJ, quanto também apropriação em débito e peculato “pela falta de repasse dos consignados, o governo desconta do servidor e não repassa para a instituição financeira”.
Acordo
Segundo Luiz Eduardo, o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, chegou a dizer na Comissão de Administração, que “tinha um acordo de cavalheiro com a superintendência e a gerência do Banco do Brasil, que iria colocar em dia o pagamento dos consignados em dezembro e até agora nada”.
Além disso, disse Luiz Eduardo, “prejudica o comércio local, porque esse pequeno empréstimo que o servidor pega para lhe socorrer num momento de dificuldade, ele também vai para o comércio, para o mercado, e isso aquece também o mercado”.
Em face do silêncio das instituições, “a expectativa é grande em relação a essa resposta. Isso não é só um problema financeiro, isso é um problema institucional, moral, e jurídico. E nós temos, neste momento, que dizemos que chegou ao limite dessa Casa. Estamos falando em tese de retenção individual de recursos públicos, violação aos princípios da lei, da moralidade e da transparência.”.
“E mais, milhares de servidores hoje estão impedidos de acessar crédito consignado, não por inadimplência própria, mas por inadimplência do Estado. O Estado, que recentemente atrasou até salários, ele está descontando os empréstimos do servidor e não está pagando as instituições financeiras que o fizeram”, protestou. E completou: “O servidor está impossibilitado de fazer novos consignados e de abrir qualquer outra linha de crédito”.
Finalmente, Gustavo Carvalho entende que “essa apropriação indébita está sendo feita para ser paga a folha do servidor. Ou seja, olha o mecanismo que estão usando. O servidor está pagando com o desconto dos seus empréstimos consignados e o seu crédito pessoal”.
Tribuna do Norte


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