A demora do governo Fátima Bezerra (PT) na execução de recursos das emendas parlamentares constantes do Orçamento Geral do Estado (OGE) continua polarizando o debate político na Assembleia Legislativa, mesmo depois de duas reuniões ocorridas no gabinete da presidência e na Comissão de Fiscalização e Finanças da Casa, nos dias 14 e 16, com participações de deputados e representantes do Executivo e órgãos de controle para encontrar uma forma de liberar recursos, principalmente para obras e outras ações nos municípios.
O deputado oposicionista Coronel Azevedo (PL) destacou que “o povo elege seus representantes e eles participam do orçamento indicando emendas. Então fortalecer a democracia é respeitar o orçamento participativo que se representa pelas emendas parlamentares.”.
Coronel Azeredo também disse, na sessão da quinta-feira (16), que a exemplo das parlamentares no Congresso Nacional, existe o compromisso do governo federal liberar 65% dos recursos no primeiro semestre: “Aqui é dever do executivo estadual pagar 50% das emendas até o final do primeiro semestre. Esperamos que ele cumpra essa obrigação legal”.
Coronel Azevedo sugeriu ao presidente da Comissão de Finanças e Fiscalização que mantivesse contato com as demais Comissões de Finanças das Assembleias Legislativas estaduais do Brasil, para verificar o andamento da execução do pagamento de emendas parlamentares relativas ao exercício de 2026 e as que ficaram em restos a pagar do exercício 2025. “Para que possamos ter indicadores de comparação sobre a execução de emendas com demais Estados. Não podemos admitir que as emendas do nosso estado sejam as lanterninhas do Brasil”, completou.
Francisco do PT havia dito na reunião da CFF que alguns deputados sequer indicaram as emendas e seus beneficiários, tendo repetido em plenário que quem define a prioridade da emenda é o parlamentar.
“Qual o problema de um parlamentar escolher como prioridade qual emenda que quer pagar? A decisão de um colega que escolhe o que priorizar é desrespeitada por esse tipo de questionamento. Quando o governo diz quanto vai pagar de cada deputado, o deputado decide o que vai indicar com aquele valor”, cobrou o líder governista.
O deputado José Dias (PL) voltou a tratar da liberação de emendas parlamentares durante a sessão plenária desta quinta-feira (16), na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Em discurso, o parlamentar afirmou que seguirá abordando o tema enquanto, segundo ele, não houver tratamento “com lisura, justiça e republicanismo” por parte do Governo do Estado.
O deputado estadual José Dias (PL) já havia questionado o atraso das emendas parlamentares na sessão do dia 15 e voltou a cobrar do Executivo, na quinta-feira (16) o cumprimento de decisões judiciais determinando o pagamento de emendas de 2024 e 2025, que estão em restos a pagar.
Segundo o deputado, há casos em que emendas são liberadas integralmente, enquanto outras recebem apenas parte do valor.
Governo efetivou pagamento de R$ 2,96 milhões
A governadora Fátima Bezerra autorizou, nesta semana, a abertura de créditos orçamentários que somam R$ 2,96 milhões. O maior volume de recursos, no valor de R$ 2,53 milhões, contempla indicações de cinco parlamentares: Neilton Diógenes e Nelter Queiroz (PP), Taveira Júnior (PSDB) e Terezinha Maia e José Dias (PL).
Em um segundo decreto, o Governo oficializou o repasse de mais R$ 350 mil, destinados a atender emendas dos deputados Dr. Kerginaldo e Luiz Eduardo (PL).
A autorização conta com o aval da Secretaria de Estado do Planejamento e das Finanças (SEPLAN) e segue os ritos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, conforme edição do “Diário Oficial do Estado” da quinta-feira (16).
Já na edição de quarta-feira (15), o D.OE trazia a liberação de emenda da deputada estadual Terezinha Maia, no valor de R$ 30 mil e na quinta (16), emenda do deputado estadual Ubaldo Fernandes (PV) no valor de R$ 50 mil.
Pela legislação eleitoral, o governo do Estado tem até três meses antes do pleito para liberar recursos de emendas parlamentares.
Tribuna do Norte


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