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Governo autoriza aumento de 4,26% no preço das passagens intermunicipais


O Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte (DER-RN) autorizou reajuste de 4,26% nas tarifas do transporte intermunicipal de passageiros no estado. A decisão foi anunciada na manhã desta terça-feira (14) após reunião com representantes das empresas e dos trabalhadores do setor. A medida passa a valer a partir desta quarta-feira (15), segundo a portaria nº 015/2026.

Em nota, o DER-RN informou que a medida visa corrigir a defasagem, seguindo a inflação observada em 2025, e tem como principal compromisso evitar demissões em massa de trabalhadores do transporte rodoviário. Além disso, o Governo do RN anunciou a renovação da isenção do ICMS sobre o combustível até dezembro de 2026.

Para os serviços da Região Metropolitana de Natal (RMN), a portaria mantém a estrutura tarifária dividida por anéis, organizando o sistema em faixas conforme a distância percorrida. No Anel I, a tarifa continua vinculada ao valor técnico do transporte urbano de Natal.

Já no Anel II (RMN), que abrange linhas semiurbanas, são mantidas tarifas fixas por níveis de quilometragem, variando conforme a distância percorrida. O nível 1 abrange percursos entre 11,55 km e 20,37 km, com tarifa de R$ 5,75; o nível 2 contempla distâncias de 20,38 km a 29,77 km, com valor de R$ 6,00; no nível 3 os trajetos variam entre 29,78 km e 38,02 km, com tarifa de R$ 8,00; e o nível 4 inclui percursos de 38,03 km a 44,50 km, com custo de R$ 10,00.

Para as linhas alimentadoras e transversais que operam na Grande Natal, a definição da tarifa leva em consideração o produto da quilometragem percorrida e o coeficiente quilométrico estabelecido na regulamentação.

Além disso, algumas linhas específicas tiveram valores definidos de forma diferenciada: os trajetos Natal–São José de Mipibu (via túnel da UFRN), com tarifa de R$ 8,80, e Natal–Barra do Rio (via Contendas), fixada em R$ 7,30.

Para as linhas de característica rodoviária, houve reajuste médio de 4,26% sobre os coeficientes anteriores. A portaria diz que as tarifas do serviço opcional devem ser isonômicas às do serviço regular para o mesmo trajeto.

Impacto da medida

Na visão de Eudo Laranjeiras, presidente da Fetronor (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste), o reajuste atende “em parte” à necessidade das empresas de ônibus diante dos recentes aumentos no preço do óleo diesel, principal insumo do setor.

Segundo a Fetronor, o valor de 4,26% foi um “meio-termo” encontrado nas negociações. O ideal, considerando os custos do óleo diesel, seria um reajuste de 9% na tarifa, diz o presidente da entidade.

Já o Sintro-RN (Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Rio Grande do Norte) avalia que o reajuste não é a solução para os problemas do sistema de transporte intermunicipal.

“No formato de hoje, só quem sofre com a tarifa é o usuário que utiliza o transporte, pois os custos da meia tarifa e gratuidade são custeados por quem paga a tarifa”, diz Arnaldo Dias, secretário-geral da entidade.

“Estamos aqui para defender os direitos dos trabalhadores. A discussão sobre tarifa não passa nas nossas mãos [do Sintro-RN]. Esperamos e não aceitaremos demissões em massa, parcelamento e atrasos de salários por parte das empresas. Caso as empresas insistam nessas práticas, iremos avaliar a possibilidade de greve na categoria”, afirma.

Impacto no bolso

O reajuste de 4,26% é visto com preocupação por passageiros que dependem do transporte intermunicipal. A assistente administrativa Natália Silvana, 36, se desloca diariamente de Natal a Parnamirim em razão do trabalho. Segundo ela, o aumento sobre o valor das passagens não vem acompanhado de melhorias na qualidade do transporte.

“No meu caso, continuo tendo que esperar em torno de uma hora para o ônibus passar, e os ônibus não estão em boas condições. O aumento das passagens é mais para benefício da empresa. Sei que tem aumento de combustível e tudo mais, mas também nunca há melhoria para o passageiro”, avalia.

O estudante Arthur Vinícius, 17, considera o reajuste significativo, pois no final do mês deve impactar as finanças de quem depende do transporte. “A gente vê os preços das passagens aumentando, mas não vê a qualidade do transporte também seguindo isso. Sempre vemos os ônibus sucateados”, diz Arthur, que viajou de Natal a Brejinho nesta terça-feira.

Tribuna do Norte

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