PEC da escala 6x1 foi aprovada nesta quarta-feira, 27 de maio, na comissão especial da Câmara por 34 votos a 4. Os únicos deputados que votaram contra - com dignidade - foram Mauricio Marcon, Gilson Marques, Julia Zanatta e Osmar Terra.
A proposta, da forma como vem sendo empurrada, ameaça diretamente pequenos negócios, comércio, serviços, supermercados, farmácias, restaurantes, logística, indústria e toda uma cadeia produtiva que já opera sufocada por impostos, insegurança jurídica e custos trabalhistas altíssimos. O resultado pode ser exatamente o oposto da propaganda - menos contratações, mais informalidade, automação acelerada e desemprego.
O mais impressionante foi assistir políticos dizendo que votavam “pelo trabalhador”, sem perceber que muitos trabalhadores podem estar, com os dias contados dentro do mercado formal.
A deputada Erika Hilton virou a principal garota-propaganda da pauta, transformando um debate econômico complexo em uma campanha de apelo popular.
Erika acusou o deputado Sóstenes Cavalcante e o PL de tentarem tumultuar a tramitação após defenderem uma escala ainda mais radical, de 4 dias de trabalho por 3 de descanso, movimento visto por parlamentares como tentativa de inviabilizar a própria PEC.
A cena mais bizarra veio durante a votação, quando o deputado Pastor Sargento Isidório, visivelmente nervoso, afirmou ter votado errado, pediu revisão do voto e declarou que queria votar “sim pelo trabalhador”.
Uma cena patética, que expôs o nível de improviso e despreparo com que temas gravíssimos para a economia brasileira estão sendo tratados dentro do Congresso.
Quando a conta chegar, não serão os políticos que pagarão o preço. Será o trabalhador demitido, o pequeno empresário quebrado e o consumidor sufocado por uma economia ainda mais frágil - graças aos incompetentes.
Agora, a PEC segue para votação no plenário da Câmara. Se aprovada, ainda precisará passar pelo Senado.
Por Karina Michelin


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