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iPhone, carro e energia custam até o dobro no Brasil frente ao Paraguai


Levantamento do Poder360 com 17 produtos e serviços populares mostra que o consumidor brasileiro paga mais em 13 deles na comparação com o Paraguai. As maiores diferenças aparecem em itens como carne bovina, eletrônicos e energia elétrica.

Um MacBook Air M5 custa cerca de 150% a mais no Brasil, enquanto a tarifa residencial de energia é 133% superior. O mesmo carro popular fabricado no país sai 45% mais caro para o brasileiro. Em contrapartida, medicamentos genéricos e absorventes femininos custam menos por aqui.

Antes de comparar os preços, porém, é importante olhar para um indicador que ajuda a contextualizar a diferença entre os 2 países: o salário mínimo. No Brasil, o piso nacional em 2026 é de R$ 1.621. No Paraguai, equivale a cerca de R$ 2.300, na conversão do guarani paraguaio para o real em 27 de maio de 2026. São quase R$ 700 a mais.

Apesar disso, o salário mínimo mais alto não significa necessariamente maior poder de compra. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas do Paraguai, 60% dos trabalhadores do país estão na informalidade. No Brasil, a taxa é de 37,5%, de acordo com o IBGE. Uma parcela significativa dos paraguaios não recebe o valor integral do piso nacional. Os números levantados pelo Poder360 em maio de 2026 mostram que a diferença mais expressiva está nos eletrônicos. O iPhone 17 com 256 GB de armazenamento custa R$ 7.999 na Apple Store brasileira, mas é encontrado no Paraguai por cerca de R$ 4.250.

O MacBook Air M5 com 512 GB de armazenamento, custa no Brasil R$ 13.999. Já no Paraguai, equivale ao preço de venda nos Estados Unidos: cerca de R$ 5.600 ou US$ 1.099.

A explicação está nos impostos sobre importados do gênero: no Brasil, os tributos do IPI, ICMS e PIS/Cofins sobre eletrônicos importados podem praticamente dobrar o preço ao consumidor final. No Paraguai, a tributação sobre esses produtos é consideravelmente menor.

A tributação tem muita relevância para a economia brasileira. Segundo o Ministério da Fazenda, a carga tributária brasileira atingiu 32,4% do PIB em 2025, o maior patamar da série histórica iniciada em 2010. Já no Paraguai, o percentual é de 14,5%, segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Para efeito de comparação, é importante dizer que no Paraguai o imposto de renda de pessoas físicas e empresas tem alíquota única de 10%. O IVA (Imposto sobre Valor Agregado) é de 10% para a maioria dos produtos e 5% para alimentos e medicamentos.

O cigarro ajuda a ilustrar esse cenário. Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), no Brasil, os tributos representam de 70% a 90% do preço final de um maço vendido no Brasil. O Marlboro custa cerca de R$ 14 no mercado brasileiro e R$ 10,50 no Paraguai. É uma diferença que, inclusive, historicamente alimenta o contrabando. Segundo o estudo “O Novo Mapa do Contrabando”, elaborado pelo IDESF (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras), 96% de toda a produção de cigarros no Paraguai é destinada ao contrabando.

Segundo o estudo “O Novo Mapa do Contrabando”, elaborado pelo IDESF (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras), 96% de toda a produção de cigarros no Paraguai é destinada ao contrabando.

A diferença tributária também ajuda a explicar os preços dos automóveis. Um Chevrolet Onix 2026 manual, com motor 1.0 fabricado em Gravataí (RS), custa R$ 101.790 no Brasil. O mesmo modelo é vendido no país vizinho por cerca de R$ 70.000. A diferença é de 45,4%.

A diferença de preço também no custo da energia elétrica. Enquanto o brasileiro paga em média R$ 0,73 por quilowatt-hora, segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o paraguaio paga cerca de R$ 0,33 pela tarifa residencial da Ande, empresa de energia elétrica paraguaia. A conta de luz é 133% mais cara no Brasil, embora parte da energia consumida pelos 2 países tenha origem em Itaipu.

Nem todos os itens, porém, são mais baratos do lado paraguaio. O Big Mac custa praticamente o mesmo nos 2 países, e produtos como dipirona, paracetamol e absorventes femininos têm preços menores no Brasil. A Farmácia Popular e a ampla oferta de genéricos ajudam a explicar parte dessa diferença.

Poder 360

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