Em que lugar do mundo uma família de quatro pessoas com renda mensal de pouco mais de R$ 2,5 mil pode ser chamada de classe média? Pergunte a quem está dentro dessa casa se essas pessoas se sentem classe média. A resposta negativa será definitiva, sem que sejam necessárias demonstrações de estudos econômicos ou comparações acadêmicas. Economia é, ao contrário do que dizem, algo muito simples. Para famílias, trata-se de uma mistura bem equilibrada de sensação de conforto com estabilidade financeira, adicionada de boas doses de perspectiva de futuro. Quem conseguiria ter tudo isso com pouco mais de R$ 2,5 mil de renda familiar? Ninguém em nenhum lugar do país. […]
A propaganda petista é uma afronta à inteligência do brasileiro que sabe, de um jeito ou de outro, que, quando se está todo mês com o orçamento apertado e vendo as dívidas aumentarem, é da escala da pobreza que se trata. E a prioridade é sempre a sobrevivência, jamais planos futuros. Olhando para o Brasil real, é o que a maioria absoluta das famílias nessa faixa de renda está fazendo: sobrevivendo. […]
Quando Marilena Chauí, uma das ideólogas do PT, disse que odiava a classe média, ninguém imaginou que seria com tamanho afinco. Na cabeça atormentada da marxista que odeia o modelo darwiniano de evolução pessoal com aumento progressivo da autonomia física e intelectual das pessoas, ‘a classe média é um atraso de vida. A classe média é a estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. […] A classe média é uma abominação política, porque é fascista; é uma abominação ética, porque é violenta; e é uma abominação cognitiva, porque é ignorante.’ No discurso, feito em 2013 num daqueles convescotes que só vão os petistas, Chauí foi ovacionada pela claque. Lula presente nunca se opôs ao discurso. Sorriu e aplaudiu. A tese seria repetida por ela numa entrevista à Folha de S.Paulo, em 2025.”
Por Adalberto Piotto
Revista Oeste

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