A toxina não altera cheiro nem sabor do alimento e resiste ao cozimento, congelamento e salga, o que dificulta a prevenção. As maiores concentrações costumam estar em partes como cabeça, vísceras e ovas. Segundo Diana Rêgo, coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, ainda não existe um monitoramento específico porque diferentes espécies já apresentaram presença da toxina. “A gente tem feito discussões junto com pesquisadores para aprofundar a investigação acerca dessa toxina. A questão climática, a poluição e o comportamento cultural das pessoas podem estar envolvidos. Nesse momento, trabalhamos com possibilidades”, afirma.
De acordo com a Sesap, o aumento das notificações em 2026 está ligado à adoção da notificação compulsória da doença no estado. Com isso, profissionais de saúde passaram a registrar oficialmente os casos suspeitos, permitindo maior capacidade de diagnóstico e acompanhamento. Antes, muitos episódios passavam despercebidos por falta de vigilância organizada, embora a pasta informe que acompanha intoxicações relacionadas desde 2022.
Outros casos notificados envolveram espécies como barracuda, cioba, guarajuba, arabaiana e dourado. Em parte das amostras analisadas, exames laboratoriais confirmaram a presença da ciguatoxina. Os maiores registros estão concentrados no litoral Norte potiguar, entre Touros e Tibau.
Diana Rêgo destaca que os peixes contaminados não apresentam alterações visíveis. “Os estabelecimentos que vendem pescado têm regras da Vigilância Sanitária do estado e dos municípios que devem ser seguidas. Quando há suspeita de um caso ou surto, a equipe faz a coleta da carne do peixe, se ainda for possível, para confirmação laboratorial”, explica.
Os pacientes diagnosticados podem apresentar dores abdominais, vômitos, diarreia e sintomas neurológicos, como visão turva, fraqueza muscular, cãibras, coceira intensa e gosto metálico na boca. Como não existe antídoto para neutralizar a toxina, o tratamento é voltado ao controle dos sintomas.
A Sesap orienta que a população procure atendimento médico ao primeiro sinal de mal-estar após consumir pescado, mantenha as sobras do alimento para análise da Vigilância Sanitária e evite peixes sem origem comprovada. “A Coordenação de Vigilância está alinhada com a Secretaria de Agricultura e Pesca. O mais importante é proteger a população com orientação qualificada e segura. A comunidade de pescadores também está alinhada com a Secretaria de Pesca”, conclui Diana.
O último caso em questão foi da idosa Maria das Dores do Nascimento Batista, de 84 anos, que morreu em Natal após passar quase um mês internada com suspeita da intoxicação. Segundo familiares, ela passou mal após consumir um peixe da espécie Bicuda comprado em uma feira livre da cidade. De acordo com a família, ela chegou a apresentar melhora clínica, sendo extubada e deixando a UTI, mas o quadro voltou a se agravar até o óbito, registrado na segunda-feira (25). Uma irmã dela também apresentou sintomas após consumir o mesmo alimento, mas recebeu alta dias depois. O caso segue em investigação.
Tribuna do Norte



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