A fala que foi alvo de críticas da oposição foi resultado do questionamento do senador Flávio Bolsonaro (PL), que questionou por que Lula resiste em classificar como terrorista as facções criminosa que têm dominado territórios com violência pelo País. E o presidente petista acusava seu adversário de querer entregar a segurança pública do Brasil ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já classificou as facções PCC e Comando Vermelho como terroristas.
“Ele quer entregar para o Trump. Eu vou dizer uma coisa: Aprovada a PEC de Segurança, eu vou criar Ministério e aí você vai ver o que é o governo acabar, sabe?, com a polícia e deixar o território livre. Você vai ver a gente colocar em prática, de verdade, para o trabalhador, segurança, para o bandido, cadeia; para o trabalhador, proteção, para o bandido, cadeia”, respondeu Lula.
Na mesma resposta, o candidato à reeleição disse como pretende usar o Ministério da Segurança Pública: “Para fortalecer a Polícia Federal, fortalecer a Polícia Rodoviária Federal e acabar com essa bandidagem de miliciano e de narcotráfico aqui no Rio de Janeiro e no Brasil inteiro”. E reforçou acusações de aliança do grupo político de seu adversário e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com milicianos e o narcotráfico. “E você sabe que eu vou acabar. Porque vocês não conseguiram acabar. Vocês se associaram a essa gente aqui no Rio de Janeiro”, atacou Lula.
Reação
Em outro bloco, Lula ignorou questionamentos de Flávio sobre ele ter falado em “acabar com a polícia”. E, nas redes sociais, o vice da chapa do PL, deputado federal Alfredo Gaspar, reagiu: “Era só o que faltava. Depois de deixar o crime organizado tomar conta do país, agora quer acabar com a polícia. Vai fechar com 100% dos votos da bandidagem!”.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também criticou a fala de Lula: “Os brasileiros já não aguentam mais tanta insegurança e impunidade, e o Lula em vez de condenar a bandidagem, fala em acabar com a polícia”.
Lula vai acabar com a polícia. Game over. https://t.co/Gygzi2N8MW
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) October 24, 2026
Caso Ana Clara
No início da resposta do mesmo bloco, Lula havia questionado por que o senador Flávio Bolsonaro atuou como advogado para evitar o julgamento de “um policial assassino”, como Lula chamou o réu Bruno Dias Delaroli, que atirou com fuzil na menina de 5 anos, Ana Clara, e não o submetido a júri popular, remarcado para 2027. O petista lembrou que Cristiane Gomes da Silva, mãe da vítima, estava na plateia do debate, após perder a filha baleada quando brincava na porta de casa na comunidade de Monan Pequeno, em Niterói (RJ), em fevereiro de 2021.
Flávio falou diretamente para Cristiane, para lamentar a morte de sua filha. Mas a chamou de Ana Clara e foi alertado de imediato pela mãe de que a menina já morreu. Ele atribuiu o caso a uma troca de tiros numa comunidade dominada pelo tráfico de drogas. E foi chamado de “mentiroso” e “monstro” por Cristiane, quando o candidato disse querer ajudá-la a solucionar o caso e identificar quem realmente atirou e matou Ana Clara.
“Ana Clara, eu quero falar para a senhora, prestar de verdade a minha solidariedade por uma tragédia o que aconteceu. Eu não consigo imaginar o que é perder uma filhinha de 5 anos de idade. Eu tenho uma filha de 14 e uma filha de 12. Era uma troca de tiros numa comunidade conflagrada, que a senhora sabe que tem o tráfico de drogas aí. E eu, o que eu estou fazendo é fazendo com que… eu quero ajudar a senhora inclusive a saber quem foi o autor desse disparo, porque eu tenho a confiança que não foi esse policial. Ele sequer foi julgado ainda”, disse Flávio, durante o debate.
A perícia oficial já identificou que o tiro fatal saiu do fuzil do policial e testemunhas afirmaram não haver confronto no momento do crime. E o réu chegou a ser preso em flagrante e responde em liberdade, após ser solto em novembro de 2021.
Diário do Poder


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