O projeto Assú Sol foi concluído em dezembro de 2025 em uma área licenciada de 2.344 hectares, com a instalação de mais de 1,5 milhão de módulos fotovoltaicos, cerca de 12 mil quilômetros de cabos e 53 quilômetros de acessos internos. Atualmente, toda a energia da usina está direcionada ao Mercado Livre de Energia (MLE), atendendo a consumidores diversos, incluindo indústrias e empresas de serviços.
Segundo Guilherme Ferrari, a escolha do município de Assú para receber o projeto considerou aspectos técnicos, estruturais e estratégicos. É o caso da irradiação solar da região e das condições oferecidas pelo município para escoamento de energia, ou seja, a margem na infraestrutura de transmissão e a proximidade com os pontos de conexão da rede.
“Essa configuração reduz a necessidade de investimentos adicionais em infraestrutura complementar e garante maior segurança operacional. O Rio Grande do Norte também se destaca pela familiaridade com projetos de energia renovável e por um ambiente local favorável à implantação de empreendimentos de grande porte”, aponta o diretor de energias renováveis e armazenamento da ENGIE Brasil.
Guilherme Ferrari aponta, por outro lado, que a companhia enfrentou alguns desafios. Entre os principais, destaca a coordenação de mobilização de equipamentos, equipes e materiais em larga escala. “Para enfrentar essa complexidade, adotamos tecnologias inovadoras, como mapeamento aéreo com drones, motoniveladoras automatizadas integradas a modelos 3D”, completa.
Cortes de geração de energia
Além do Assú Sol, a Engie mantém outros dois projetos de energia renovável no Rio Grande do Norte: o Conjunto Fotovoltaico Floresta e o Conjunto Eólico Santo Agostinho. De acordo com Guilherme Ferrari, a companhia opera com ativos diversificados para gerir riscos estruturais do sistema, como o curtailment, e a exposição a variações conjunturais.
No quarto trimestre de 2025, o empreendimento Assú Sol registrou aproximadamente 16% de cortes de geração. O diretor de energias renováveis e armazenamento da ENGIE Brasil explica que as restrições são determinadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), com o objetivo de preservar a segurança e a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).
“Os fatores são múltiplos, incluindo gargalos na rede de transmissão, uma vez que a expansão da geração renovável no estado ocorreu em ritmo superior ao da infraestrutura de escoamento. Além disso, há períodos de sobreoferta, quando a geração supera a demanda local e a capacidade de envio para outras regiões”, destaca Guilherme Ferrari.
Para reduzir problemas com cortes de geração na região, o diretor de energias renováveis e armazenamento afirma que a Companhia está avaliando soluções com foco na criação de demanda local e mitigação do problema. É o caso do sistema de armazenamento de energia em baterias (BESS) e a eventual implantação de data centers, inclusive voltados para mineração de criptoativos.
Atualmente os principais desafios para efetivar os sistemas de armazenamento estão na dependência do setor no estabelecimento de leilões com demanda de potência suficiente e preços compatíveis para destravar investimentos relevantes.
“Já no caso de data centers, os desafios são de outra natureza. O primeiro envolve processos de licenciamento, que precisam ser mais ágeis e previsíveis, dada a dinâmica do negócio. O segundo é a estruturação do modelo de negócios, que deve equilibrar necessidades de consumo contínuo, requisitos de disponibilidade e segurança com a geração local, maximizando valor tanto para o cliente quanto para a Engie Brasil”, explica Guilherme Ferrari.
Apesar dos desafios, o diretor aponta que o Rio Grande do Norte segue como uma região prioritária para novos desenvolvimentos renováveis pela Engie Brasil. “A Engie Brasil possui, no Rio Grande do Norte, um pipeline consistente de projetos eólicos e solares, muitos deles aptos a serem hibridizados (combinação de eólica com solar). Essa estratégia permite melhor aproveitamento da infraestrutura existente, otimiza o uso da transmissão e aumenta a flexibilidade operacional dos ativos”, ressalta.
Tribuna do Norte

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