A instabilidade no Oriente Médio elevou o prêmio de risco no mercado global de energia e pressionou fortemente o valor do barril, movimento que tende a ser repassado ao consumidor final. Segundo Flor, isso ocorre porque grande parte do combustível consumido no estado é importada pela refinaria Clara Camarão, o que deixa os preços sensíveis às oscilações externas. “Como no mercado internacional os preços já aumentaram bastante, provavelmente já teremos um reajuste nessa próxima quarta-feira, que é quando normalmente a refinaria reajusta seus preços”, afirmou.
A pressão, de acordo com o dirigente, é mais intensa sobre o diesel, combustível estratégico para a logística. “Dessa forma, esse aumento acaba afetando toda a cadeia produtiva, já que temos o transporte rodoviário como principal meio de escoamento da produção”, disse.
Sobre a possibilidade de escassez, Flor pondera que ainda é cedo para avaliações mais conclusivas, mas admite risco caso o conflito se prolongue.
No mercado internacional, o petróleo já opera em patamares bem superiores aos registrados no início do ano. Pouco depois das 12h da segunda-feira (2), primeiro dia útil após a ofensiva militar, o contrato futuro do Brent, referência global, era negociado em Londres perto de US$ 79 o barril, alta de cerca de 7,6%. Já o WTI, em Nova York, superava US$ 71, com alta de cerca de 6%. No Brasil, as ações da Petrobras subiam quase 4% na B3, refletindo o movimento internacional.
Analistas atribuem a disparada principalmente ao temor de interrupção no tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. À Agência Brasil, o economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, explicou que “é o principal fator que faz o preço do petróleo explodir. Com o Estreito de Ormuz fechado, a oferta cai muito e, consequentemente, os preços sobem quase que de forma imediata”, destacando ainda que a alta recente “expõe o quão volátil podem ser os preços em cenários de conflito”.
Na avaliação do economista Ricardo Valério, do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon-RN), os efeitos já são visíveis e podem se espalhar pela economia global. “Além dos problemas sérios com o fechamento do Estreito de Ormuz, hoje já tivemos reflexos de quase 10%, com o barril pulando de 68 dólares para 78”, afirmou.
Ele ressalta que uma eventual ameaça ao tráfego de petroleiros representa perda imediata de oferta. “Isso significa 1/5 a menos da oferta de petróle, o que já provocou somente em um dia um aumento de mais de 10%, pois, além da redução da disponibilidade, as seguradoras aumentam muito o valor do seguro dos navios da região”.
Valério observa que há projeções mais pessimistas no mercado. “Os mercados já sinalizam que o barril pode chegar até 100 dólares, e os mais pessimistas já apontam que pode disparar até 120 dólares, caso o conflito seja ampliado”.
O economista Ricardo Valério pondera que a tendência é de acomodação se não houver escalada prolongada. “Acredito que, como a Opep preventivamente já anunciou que irá aumentar a produção de petróleo, os preços médios devem ficar na faixa de 80 a 85 dólares. Não iremos alcançar os patamares assustadores da crise de 2022”, avaliou, referindo-se à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Para o Brasil, Valério avalia que há espaço para segurar reajustes no curto prazo. “O Brasil, como também produtor de petróleo, pode segurar os preços pela próxima quinzena mesmo até o patamar de 85 dólares, apostando que o conflito se acabe rapidamente”. O risco maior, segundo ele, surge se a escalada persistir. “Depois de 15 dias, se os preços subirem a 100 dólares, fatalmente vai ter forte influência em nossa inflação, com impacto sobre combustíveis, frete e possibilidade de a inflação voltar a subir”.
Tribuna do Norte

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