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Reviravolta política no RN: Fátima Bezerra não vai mais renunciar, frustra planos ao Senado e muda estratégia do PT


A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, decidiu permanecer no cargo até o fim do mandato, previsto para 5 de janeiro de 2027, e não disputará mais uma vaga no Senado.

A mudança de rumo ocorre após articulações políticas em nível nacional e deve ser oficializada nas próximas horas, com a convocação de uma coletiva de imprensa. A informação foi confirmada ao O Correio de Hoje, após contato com fontes próximas à governadora.

A decisão foi consolidada após reuniões realizadas em Brasília, na segunda-feira (16), com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, além de integrantes da cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT). A governadora já retornou a Natal.

Nos bastidores, a permanência no governo foi tratada como estratégica. O receio de não conseguir garantir maioria na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte (ALRN) em uma eventual eleição indireta pesou na escolha.

Risco político e pressão nacional

Caso deixasse o cargo, haveria a necessidade de eleição indireta na ALRN, cenário considerado incerto para o PT. Isso porque a legenda conta atualmente com o apoio de apenas 8 dos 24 deputados estaduais, número insuficiente para assegurar os 13 votos necessários.

A possibilidade de o vice-governador também renunciar, abrindo caminho para disputar outro cargo eletivo, aumentou a insegurança dentro do grupo político. Diante desse quadro, o presidente Lula teria recomendado a permanência de Fátima Bezerra no governo.

Em contrapartida, foi sinalizada a possibilidade de a governadora integrar um eventual novo governo federal a partir de 2027, com chances de assumir um ministério, como o da área de integração e desenvolvimento regional.
Estratégia para 2026

Durante os encontros, também ficou definido que o foco do PT será fortalecer candidaturas ao Executivo estadual e ampliar bancadas legislativas. O nome do atual secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, foi colocado como prioridade para a disputa ao Governo do Estado nas eleições de 4 de outubro.

Além disso, a orientação nacional inclui o fortalecimento da presença do partido na Câmara dos Deputados e na ALRN, onde hoje a sigla possui representação considerada limitada.

Para o Senado, a definição é de que o PT lançará uma candidatura feminina. Entre os nomes cogitados estão lideranças locais e parlamentares, enquanto articulações seguem para viabilizar uma candidatura competitiva.
Mudança de discurso

A decisão marca uma inflexão no posicionamento recente da governadora. Nas últimas semanas, Fátima Bezerra vinha defendendo publicamente sua candidatura ao Senado como parte de um projeto nacional para fortalecer o campo progressista no Congresso Nacional.

A própria governadora chegou a afirmar que a disputa era estratégica para garantir governabilidade e defender a democracia em um cenário de polarização política. A fala havia sido feita em entrevista concedida anteriormente à imprensa local.

Agora, com a nova orientação, o foco passa a ser a condução do governo estadual até o fim do mandato e a reorganização das forças políticas para as eleições de 2026.
Trajetória política

Fátima Bezerra tem 70 anos e nasceu em Nova Palmeira, na Paraíba. Filiada ao PT desde 1981, construiu sua trajetória política a partir da atuação sindical na área da educação, com destaque no Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (SINTE-RN).

Ela foi eleita deputada estadual em 1994 e reeleita em 1998. Em 2002, chegou à Câmara dos Deputados, onde permaneceu por três mandatos consecutivos. Em 2014, foi eleita senadora pelo Rio Grande do Norte.

Quatro anos depois, renunciou ao Senado para disputar o Governo do Estado, sendo eleita em segundo turno. Em 2022, conquistou a reeleição ainda no primeiro turno, consolidando sua liderança política no estado.

BNewsNatal

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